RAYMOND LOEWY: o enigmatico objeto de uso que virou ícone da era mais louca e formal do Design

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Fig.1 - Chrysler Airflow, 1934

  

Fig. 2 - Lincol Zephyr, 1939

 

Fig.3 - Locomotiva S1, 1937

 

Fig.4 - Airstream trailer, 1936

Art Deco Clocks > KEM Weber Zephyr Clock > Modernism Gallery 

Fig.5 - Relogio Zephyr, 1930s

 

   

Fig.6 - Radio Spartan, Teague, 1936

 

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Fig.7 - Ventilador Airflow Fan, 1937

 

Fig. 8 - Ferro de passar GE, 1948

 

Afiador de lápis

Fig.9 - Apontador Loewy, 1933

 

Dos objetos de uso que abrem a nossa página, o apontador de lápis desenvolvido por  Loewy em 1933, é o unico que não foi para frente. Ficou na escultura feita por Loewy, ficou no protótipo. Ficou na historia do Design. Dai vem a pergunta: como é que um objeto que nunca foi industrializado em massa ou artesanalmente, não foi vendido, virou um icone do Design do século XX? Foi e ainda é noticia em revistas e livros, reverenciado pelos estudiosos do Design,  no entanto é apenas uma figura de retórica na historia humana dos objetos de uso.

Uma resposta aceitável é que o objeto mais representativo da era mais auspiciosa e louca do Design moderno: a era aerodinâmica ou  “streamlined”  dos anos 1930-40 e que influenciou toda uma gama de objetos de uso até o final do 1950s.

Època  que naceu vigorosamente após a Depressão onde uma nova abordagem ao Design profissional surgiu nas industrias para aprimorar os seus produtos e enfrentar a concorrencia. Sob essa onda surgiu o estilo   aerodinamico, popularizado pelo visionário designer Norman Bell Geddes e seguida pelos seus contemporâneos tão ilustres quanto ele, Orlo Heller, Henry Dreyfuss, Walter Dorwin Teague e Raymond Loewy. Embora alguns rejeitassem esse rótulo, a verdade é que o efeito “lágrima” era ostensivamente aplicada nos produtos, fixos ou móveis da epoca.

E valia de tudo para desenvolver os produtos de uso industriais, desde os mais complicados cálculos matematicos para alguns, pelas propriedades formais simbolicas para outros ou simplesmente como novidade sem razões e justificativas funcionais, apenas eram. Por outro lado, o emblema do movimento, da velocidade  e modernidade dos projetos bem desenvolvidos não prejudicavam a sua eficiencia nem do uso, mesmo que o resultado formal não expressasse bem a sua função.

A aerodinamica aplicada nos objetos móveis era estudada desde o século XIX pelo estudo anatomico e formal das aves e peixes, pela fluidez que manifestavam no ar e na água. O resultado mais eloquente desses estudos comcluiram em 1900, que a forma de lágrima respondia mais adequadamente, pela menor resistencia ao ar quando em movimento e maiores velocidades. Estes estudos cientificos redundaram na aplicação de uma nova tecnologia de fabricação e moldagens de paineis, usos de novos materiais,  superficies lisas, volumes com curvas acentuadas e no uso dos protótipos em tuneis de ventos para carros, aviões, trens e barcos. Em todo objeto que se movimentava, os principios aerrodinamicos eram empregados como base do projeto. E se isso acontecia nos objetos móveis, porque não aplicar a ideia nos objetos fixos?

A outra face da moeda é que  “streamlined” mesmo aplicado em excesso  não obscureceu o sentido científico e formal dos objetos de uso fixos e móveis que foram desenvolvidos segundo essa abordagem e se tornou um “estilo” e sinonimo de Design americano por mais de 3 décadas.

Nos objetos móveis: por parte do carros  o pioneiro foi o Airflow da Chrysler de 1934(Fig.1) e o resultado formal mais interessante e aplicado com o rigor das linha aerodinamicas  foi o do Lincol Zephyr de 1939 (Fig.2);  o que alcançou maior sucesso e virou sinônimo de treiler nos EUA, foi o Airstream dos anos 1930s; num veiculo pesado o melhor exemplo foi a locomotiva S1 de Loewy, que resultou em maiores velocidades e economia de combustivel.(Fig.3)

Nos objetos fixos, a forma aerodinamica foi usada em quases todos os objetos de uso, elétricos ou não e marcou definitivamente a onda da velocidade e da fluidez das formas. Os exemplos são muitos, e aqui temos um amostra: o lindo relogio elétrico de Kem Weber de 1933; o emblematico radio de Walter Teague de 1936; o ousado ventilador Airflow Fan de Robert Heller em 1937s  embora tardio com relação a maioria dos objetos de uso aerodinamicos que se proliferaram  nos anos 1930s, este virou icone e determinou a forma definitiva dos ferros de passar roupas que viriam depois, o original GE de Henry Dreyfuss em 1948.

E para terminar o mais enigmático e representativo da era aerodinamica do Design, aquele que nasceu, não viveu e que nunca morre, o apontador de lápis de Loewy de 1936. Interessante o Design das coisas de uso, mesmo que não foram usadas.