POLTRONA WASSILY (B3), 1925: a Deusa das Poltronas, a forma e função como resultado de experimento

Untitled Document

  Marcel Breuer Wassily Chair

 

Quando a indústria de aço alemã Manessmann viabilizou o uso dos tubos de aço sem costura no inicio da década de 1920, abriu um enorme leque para o Design de mobiliario e outros objetos. A Bauhaus estava em plena efervescência e Marcel Breuer trabalhando na Oficina de Marcenaria, viu no novo material possibilidades infinitas para desenvolver peças de mobiliario. Na verdade, foi uma febre que atingiu os integrantes da escola e do mundo do Design e logo, Mart Stam, Mies de van de Rohe e posteriormente outros, como Le Corbusier, Anton Lorenz, Eillen Gray, etc,  lançaram-se de corpo e alma no desenvolvimento de móveis usando o aço tubular e em barras.  A madeira ainda era usada em profusão por ser um material já conhecido e facil de trabalhar, mas quando os designers da época viram que o aço viera para ficar, surgiu uma gama de belos projetos de cadeiras, poltonas, sofás e bancos dos mais variados modelos, todos seguindo uma mesma linha,  provenientes das regras da tecnica de dobrar e soldar os tubos e barras, mas todos diferentes en Desig e uso.

Muitos desses exemplos fantásticos são produzidos até hoje e se tornaram clássicos do Design Moderno. Dentre estes, vale citar dois: a Poltrona Barcelona de Mies van de Rohe (construida em barras de aço cromado) e a Poltrona Wassily, de Breuer, de estruturra tubular. Não importa se a Wassily foi desenvolvida para a casa do pintor, colega de escola e amigo Wassily Kandiski ou não, o que importa é que a eterna, unica, bela, diferente e confortável Poltrona ficou conhecida pelo nome que ganhou de alguem empolgado por ela e pelo pintor. 

O grande barato da Wassily é que ela não tem uma forma definida. Todas as cadeiras e poltronas se expressam através de uma estrutura, o corpo definido pelo assento e encosto (relação assento-encosto), o material empregado e uma forma resultante dessas três variaveis.

Outras partem de uma forma e nela são adaptados ergonomicamente a relação assento-encosto no material utilizado.

A Wassily, não tem nada disso. Ela é inovadora em Design, não só pelo uso inteligente dos materiais envolvidos, mas por ser uma estranha peça de sentar confortavelmente. Ela não tem uma forma explicita e a função é sugerida de imediato, como se dissesse: venha sentar, experimente

A Wassily surgiu do nada  para ser o que é. O tubo foi dobrado para lateralmente em U para definir o apoio e a forma básica; foi retorcido de lado para o apoio dos braços, novamente dobrado nesse sentido para estruturar o assento, volta à posição anterior e em seguida continua se retorcendo para terminar a estutura nas costas. O resto foi complemento e forma, acrescido do couro.

É uma Poltrona proveniente de um  laboratorio de Design, um experimento formal e funcional que no seu anti-design, explodio  numa expressão que tende ao abstrato misturado com a ideia bauhasiana de “ a forma segue a função”.

Fantástica sob todos os aspectos!

Quem tem uma, como eu, sabe disso.