PETER BEHRENS: o primeiro designer corporativo da história
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Fig. 1 - Cadeira, 1900
Fig.2 - Luminária, 1905
Fig.3 - Relogio de parede, 1907
Fig.4 - Ventilador AEG, 1908
Fig.5 - Chaleira elétrica, 1909
Duas personalidades se destacaram nos final do século XIX e ambos são considerados como os primeiros designers industriais de produtos de uso: o inglês Cristopher Dresser e o alemão Peter Behrens. Dresser, - que era um botânico de formação e se destacou nessa area com livros publicados -, ingressou na produção industrial por volta dos anos 1870s de forma independente trabalhando para as pequenas empresas inglesas. Behrens, pelo contrário, era um arquiteto de formação e um dos mais influentes da Alemanha no começo do século XX e um dos fundadores da Deutscher Wekbund, grupo de artistas e artesãos que se uniram em 1907 para aproximar a industria da sociedade como forma de melhorar a vida de todos.
Os dois pioneiros do Design Moderno tiveram em comum o fato de desenvolverem uma gama enorme de produtos como,talheres, jogo de cristais, relogios,cerâmicas, móveis, utensilios para cozinha, etc. Enquanto Dresser trabalhou como um designer independente para as industrias, Behrens foi um designer corporativo nato. Podemos dizer que Dresser foi o primeiro designer independente e Behrens o primeiro designer industrial ligado a uma empresa. Ou de outra forma: Dresser foi o primeiro designer industrial antes da era da eletricidade e Behrens, o primeiro designer dessa era.
Em 1906 a AEG (Allgemeine Elektricitäts Gesellschafft)comprou patentes de Thomas Edison para fabicar lãmpadas e resolveu investir na produção de objetos elétricos e contratou Behrens para chefiar uma seção de desenvolvimento dos produtos da empresa, precussora dos atuais Departamentos de Design das industrias modernas de objetos de uso.
Na AEG, Behrens trabalhou o Design em todas as suas dimensões: foi o primeiro a criar uma cultura de identidade corporativa ao recriar o logotipo e toda a identidade corporativa da empresa, além encarregar-se da arte gráfica publicitária. Mas se destacou principalmente no desenvolvimento de produtos de uso para a AEG, como ventiladores, chaleiras eléctricas, iluminárias, móveis, relogios, todos livres das grafias decorativas e com a forma como resultado da função. Os principios estéticos formais dos seus produtos vieram do movimento Deutscher Werkbund, do qual Behrens foi um dos fundadores: "Na tecnologia eléctrica não se pode mascarar as formas com adições decorativas, porque a tecnologia eléctrica é uma nova área, devemos encontrar formas que representem o novo carácter da tecnologia."
O Deutscher Werkbund se propôs a dar forma a tudo: "das almofadas do sofá ao urbanismo, do selo do correio ao arranha-céu", como explicou o arquiteto Hermann Muthesius, conselheiro do Estado prussiano e principal incentivador do movimento. Preocupados com o abismo existente entre artesãos, indústria e artistas provocado pela substituição da manufatura durante a Revolução Industrial, artistas, políticos, arquitetos e industriais, entre outros, fundaram em outubro de 1907, em Munique, o Werkbund ou Federação Alemã de Ofícios. Entre os frutos do movimento, estão a criação da escola Bauhaus, em 1919, e das normas DIN, em 1917.
A Deutscher Werkbund também pode ser entendida como o nascimento do Design propriamente dito. Os participantes do movimento não entendiam o objeto industrial de forma simplesmente utilitária, mas como um processo para combater o problema da decadência dos valores artísticos em uma nova sociedade industrial.
A banalidade burguesa do produto de uso ornamental teria que ser abolida e se buscar uma nova ordem estética da era da máquina. Não pretendiam um retorno romântico à manufatura medieval, como no movimento inglês Arts & Crafts, liderado pelo arquiteto William Morris e pelo crítico John Ruskin, no século anterior.
Diferentemente do movimento inglês, os alemães não se voltaram contra a indústria, mas o de resolver o problema juntamente com ela, aceitando a divisão do trabalho do processo produtivo industrial. A Exposição de Colônia de 1914 marcou também uma ruptura no movimento devido à disputa entre os partidários de um desenho completamente voltado para a funcionalidade e aqueles que defendiam a individualidade artística no movimento.
As imagens mostram um pouco do que foi o trabalho de Berhens. Uma mistura de Art Nouveau com a modernidade formal da cadeira de linhas sinuosas (Fig.1) e a luminária ao mesmo tempo simples e de estilo marcante (Fig.2). E os três objetos elétricos projetados para a AEG que determinaram a forma final dos que existem hoje em dia: o relogio de parede (Fig.3) o ventilador de base (Fig.4) e a chaleira elétrica(Fig.5)
O nome Peter Behrens não é só importante como designer dos produtos desenvolvidos para a AEG, mas porque mostrou que o Design podia interferir na industria para criar produtos uteis e belos para a humanidade.
Ave Behrens!
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