MINI RADIOS TRANSISTORIZADOS: novamente a Ciência do Produto, o inicio da minituarização dos objetos eletro-eletrônicos e a base tecnológica do computador
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Fig.1 - O Regency TR1. 1954

Fig.2 - O Regency multivariação nas cores

Fig.3 - O Spica de 1957, o mais popular no Brasil
Fig.4 - Sony TR63, 1957.

Fig.5 - Sony TR610,1958, o mini radio mundial.
A historia é bem antiga, com mais de 100 anos e mudou o mundo no inicio da década de 1950, com a chegada da minituarização dos componentes e objetos eletro-eletrônicos. Ela começou com Thomas Edison, em 1879 ao colocar um filamento de metal dentro de um tubo de vidro fechado a vácuo para produzir luz elétrica. Um pouco mais tarde, em 1897, Joseph J. Thomson desenvolveu um tubo de vácuo para investigar cuidadosamente a natureza dos raios catódicos e mostrou que eles eram realmente feito de partículas. Thomson descobriu o elétron, pelo qual recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1906. Foi quando entrou a tecnologia e no mesmo ano o engenheiro Lee De Forest construiu um tubo de vácuo com 3 eletrodos, ou triodo e conseguiu amplificar sinais de audio. O tubo-triodo ficou conhecido como “válvula” Surgiu então o rádio, a comunicação tomou rumos ilimitados e formada a base da eletrônica moderna. Após a II Guerra, as empresas de base tecnologica passaram a se preocupar com os resultados práticos de suas pesquisas.
Em 1947, John Bardeen and Walter Brattain, dois pesquisadores dos laboratorios da Bell Telephone procuravam entender a natureza dos eletrons na interface entre o metal e um semicondutor e verificaram que era necessario mais um ponto de contato ou terminal, para se fazer a condução. Estava criado então o “transistor”. O transistor é um dispositivo eletrônico em estado sólido com três terminais em que se pode controlar a corrente elétrica ou a tensão entre dois terminais através da aplicação de uma corrente elétrica ou tensão para o terceiro terminal. O carater de 3 terminais do transistor permite fazer uma amplificação de sinais elétricos, como a do rádio.
Além disso,pode-se também fazer um interruptor elétrico controlado por um outro interruptor elétrico. Por cascata com estes “switches” (interruptores que controlam outros interruptores, pode-se construir circuitos lógicos muito complicados. Estes circuitos lógicos podem ser muito compactos e colocados num pequeno bloco de silício com 1.000.000 transistores por centímetro quadrado e ligado e desligado rapidamente. É que hoje conhecemos como “ship”, a base da memoria do computador e de toda a parafernalia eletrônica que usamos hoje em dia com profusão. Também não foi a toa que os dois inventores do transistor John Bardeen and Walter Brattain ganharam o Premio Nobel de Física de 1956, junto com a saudável companhia de William Shockley, o fisico que tornou realidade a aplicação prática dos transitores. A era da velha válvula tinha se encerrado e começava outra, a da minituarização dos aparelhos eletrônicos.
Há muitos pretendentes ao titulo de ser a primeira empresa a produzir radios transistorizados, entre elas, a Texas Instruments, a RCA, a japonesa Sony,a alemão Intermetall, etc. que em diferentes datas apresentaram os seus prototipos. Em 1951, uma companhia a "Texas Instruments" (TI) obtém a licença para o desenvolvimento em larga escala do transistor, levando três anos para alcançar o processo de fabricação em massa do Transistor de Unijunção de Germânio. Foi uma das empresas que mais tomou parte no desenvolvimento inicial dessa tecnologia. Em 1954, após exaustivos testes em laboratório realizados por uma equipe de engenheiros, cria um método de produção em larga escala, preparando-se a partir daí, a lançar secretamente um pequeno rádio totalmente transistorizado. Busca entre os principais fabricantes de rádios nos EUA, entre eles RCA, Sylvania, e Philco, alguém que se dispusesse a fabricá-lo. A unica que se manifestou a favor foi a indústria "I.D.E.A" de Indianápolis, Indiana, atráves de uma nova empresa criada para produzir transistor par fins práticos, a Regency.
Inicialmente, o circuito do rádio foi desenvolvido pela TEXAS e considerado não tanto comercial pela Regency. As primeiras vinte e cinco unidades do protótipo foram construídas com o circuito da TEXAS, mas, cada aparelho requeria a seleção manual dos componentes para faze-los trabalhar, as caixas de plástico do protótipo eram 100% construidas manualmente ao invés de moldadas em série e por isso o custo por unidade era proibitivo para o mercado consumidor. O uso comercial do transistor parecia ainda ser um sonho. Foi quando apareceu o engenheiro mestre da Regency, Dick Koch, que cria e desenvolve o circuito chave que pôs o rádio no mercado. Este circuito permitiu soldar os componentes diretamente no circuito impresso e a tolerância dos componentes não era tão importante. A Regency patenteou o histórico circuito do rádio TR-1 com detalhes construtivos e dados específicos.
A Texas Instruments não estava satisfeita pois em vista do sucesso obtido nas vendas, quis reivindicar o registro do rádio como sendo dela. A Regency devia uma soma considerável de dinheiro para a TI e foi sondada a reduzir essa dívida vendendo a propriedade da patente por $25,000.
Sem entrar no mérito da questão,o importante é que a IDEA (Industrial Development Engineering Associates de Indianapolis, Indiana) apresentou no Natal de 1954, o Regency TR1, de fato o primeiro miniradio transistorizado a ser lançado do mercado. De imediato vendeu mais de 100 mil unidades, um sucesso tão grande que logo as outras empresas se prontificaram a fabricar os seus modelos. (Fig.1).
O que antes era um movel, pesado e de transporte dificil, passou a ser colocado no bolso. Tudo mudaria no Design dos aparelhos eletricos que usavam a velha e util valvula para funcionar, como os aparelhos de rádio e TV, os amplificadores de som.
O radio transistorizado foi o marco historico da mudança do maior para o menor, do pesado para o leve, de uma configuração formal grande para uma sujeita a pequenos toques e grafias enxutas e o que antes era alimentado apenas pelo pino interruptor elétrico podia agora funcionar com uma simples pilha.
O interessante é que o Regency chegou ao mercado oferecendo uma gama variada de cores e isso marcou o Design dos objetos de uso pequenos, a não limitação de um modelo só, mas com multivariedade de cores. “Coisa pequena não pode ter uma cor” Essa tendencia foi seguida pelos demais fabricantes, um exemplo da capacidade e visão das industrias de produzir variação formal através das cores, como os carros. (Fig.2)
O radio SPICA ST 600
Os rádios Spica marcaram época entre os brasileiros, pois foi um dos primeiros aparelhos transistorizados a ser exportado em grande escala para o Brasil pelo Japão, despertando grande atração, devido ao seu pequeno tamanho, a partir de 1957. (Fig.3)
Porém o modelo que inciou o processo de atingir o mercado mundial foi o Sony TR63, ao ser exportado para varios paises, mas o seu Design era ainda parecido com o Regency e o Spica.(Fig.4).
Com o TR610, o Design mudou, ficou mais limpo, o dial não era mais o centro das atenções do pequeno objeto, mas o corpo como um todo era o que importava. O sucesso foi imediato e mini radio transitorizado tomou conta do mundo.(Fig.5)
O surgimento do mini radio transistorizado na decada de 1950 é um marco para o Design, porque a partir dele os objetos de uso elétricos de recepção de ondas, passaram a funcionar eletronicamente e isso mudou tudo. Os telefones, os radios, os aparelhos de televisão, os relogios, os computadroes, enfim uma serie de outros aparelhos se tornaram menores e mais práticos e o Design mudou. A vida computarizada de hoje não seria possivel sem o transistor.
O radio portatil foi o marco para essa mudança.
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