JEEP, 1940: o carro para todos os propósitos, ludico e eternamente jovem
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O Jeep foi um dos carros que mudaram a face da historia do produto automobilistico. Foi o primeiro carro fabricado em série de uso militar e posteriormente, civil, a ter tração 4X4, antes dele só caminhões e outras viaturas militares tinham esse recurso mecânico. Ou seja , ele foi o precursor dos SUVs de hoje.
Com um design simples e funcional, reunia a eficácia com a eficiencia de uso, coisa rara num carro. O primeiro protótipo foi desenvolvido pela American Bantam Car Co. em 1940. Como era uma empresa pequena, no esforço para a guerra o exercito americano abriu concorrencia para fabricar o prototipo da Bantam, entre 135 possiveis fornecedores com as seguintes especificações básicas: atingir 90 km/h, ter caixa de marchas com reduzida, 203 centímetros de entre eixos, 1 metro de altura com o pára-brisa baixado e poder carregar uma metralhadora calibre "ponto-30".
Apenas três fabricantes concorreram:a propria Bantam, a Willys e Ford. O modelo Ford foi considerado o mais confortável; o original da Bantam (Fig.1), o de melhor suspensão e dirigibilidade e mais econômico. Quem venceu foi o Willys (Fig.2), pelo chassi mais robusto, motor mais potente (60 cv, contra 45 dos rivais),- o que lhe dava desempenho superior apesar de pesar cerca de 200 quilos a mais -. e pelo seu torque 25% mais alto que dos concorrentes garantia força extra na hora de rebocar canhões e viaturas. O modelo definitivo surgiu no mesmo ano com o nome MB. (Fig.3)
Fig.1- Protótipo Bantam MK II | Fig.2 - Protótipo escolhido; Willys MA | Fig.3 - O Jeep definitivo Willys MB, 1940
Em 1945 devido ao enorme sucesso do carrinho, diferente de tudo que atentão se conhecia, foi criada uma versão civil, o CJ3A, destituida dos aparatos de guerra. (Fig.4).

Fig.4 - O Jeep civil CJ3A, 1945
Uma curiosidade é a razão do nome Jeep ter virado uma marca, coisa rara em Design do produto. Quando o produto ou modelo vira “marca” é porque a coisa é fatalmente boa. Por possuir mais tecnologia de fabricação a Ford passou a produzir o veiculo praticamente igual ao da Willis e o denominou de projeto de GPW, "General Purpose Willys", o que levou muita gente a crer que foi daí que veio o nome Jeep, pois as iniciais GP em inglês soam como "ji-pi".
A versão mais real do nome Jeep, veio dos desenhos de Popeye, simbolo da capacidade americana dos anos 1940s, com o personagem "Eugene the Jeep” , um animal mágico que nunca mentia e tirava o marinheiro das suas contínuas enrascadas. Assim, podia-se confiar no estranho bichinho e sendo útil e simpático o personagem e seu nome logo se popularizaram, a ponto de os soldados americanos apelidarem de "jeep" tudo quanto era máquina militar boa e salvadora, qualquer viatura de ar, terra e mar.
Em 1941, para impressionar a todos, a Willys-Overland mandou que o piloto de testes subisse com seu novo veículo as escadas do Capitólio na capital americana. Após a façanha, ao ser entrevistado pelo Washington Daily News, perguntaram qual era o nome do fantástico veículo. "Isto é um jeep!", disse o piloto. Foi o que restava para o apelido pegar.
A partir de 1948, depois de grandes serviços prestados contra o nazismo, os militares desejavam substituir os jeeps ainda em uso desde 1941. Surgia então, em 1951, a nova versão o M38 (Fig.5).

Fig.5 - MB modernizado, o M38A1, 1951
Com partes elétricas a prova d’agua, a entrada de ar para o carburador vedada colocada na parte mais elevada e motor mais potente o Jeep se modernizou a tal ponto que virou um carro de passeio. O aspecto formal mudou totalmente: farois maiores embutidos ao lado da grade frontal, paralamas arredondados. Um detalhe que virou marca dos veiculos 4X4 da Chrysler, posteriormente detentora da marca Jeep, foi a grade do radiador com 7 aletas, ao contrario da grade com 9 aletas dos antigos MB.
Em 1953, foi lançado um novo modelo para propósitos civis e militares. O antigo CJ foi atualizado para o modelo CJ3B. A carroceria recebeu um capô e grade dianteira mais altos para acomodar o novo motor de 4 cilindros Hurricane F-Head, mais robusto que seu antecessor e conhecido no Brasil, como “cara de cavalo” devido à sua nova frente mais alta.(Fig.6)

Fig.6 - O famoso “cara de cavalo” de 1953
Mesmo após a Segunda Guerra, ele continuou combatendo ao lado dos soldados americanos por quase 50 anos. O Jeep e sua linhagem de descendentes só seriam tirados da ativa em 1985, com a chegada do Humvee, a versão militar do Hummer.
Em abril de 1953, a Willys-Overland foi vendida para Henry J. Kaiser, que introduziu em 1955 o modelo CJ-5. (Fig.7).

Fig.7 - A ultima versão de 1955 (brasileira)
É o design de Jeep mais conhecido por todos, pois foi produzido até a década de 1980. Melhorias constantes no motor, eixos, transmissões e conforto de assento, fizeram o CJ5 o veículo ideal para o público em geral. Ainda foi produzido o CJ6, conhecido no Brasil como “Bernardão” que possuía uma maior distancia entre eixos, com 2 ou 4 portas, a partir de 1961. (Fig.8)

Fig.8 - O CJ6 “Bernadâo” de 2 e 4 portas, 1961
Embora o Jeep tenha sido criado como um veículo de guerra, o seu Design era tão original que foi absorvido pelo mercado como um carro de passeio. Não foi criado para tal, mas foi o consumidor civil que mudou o seu uso. Leve, robusto, conversivel, rapido e simples, foi o carro americano depois do Ford T, que mais influenciou o modo de vida da pessoas, pois servia tanto para campo como para a cidade. E porisso virou marca, virou lenda!
E também, como o Fusca, é o carro mais duravel da historia, com milhares de modelos servindo aos aventureiros, em trilhas e ralis. Um carro eternamente jovem.
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